França: uma festa brasileira

Moda

  • Moda
  • Linha de produtos Gaines et Gorges, Christian Dior
  • Christian Dior, 1969
  • Christian Dior
  • Miss Dior prêt-à-porter
  • Criação de Christian Dior
  • Miss Dior prêt-à-porter, 1970
  • Yves Saint Laurent
  • Saint Laurent, 1971
  • Saint Laurent - moda masculina
  • Saint Laurent - moda feminina
  • Saint Laurent - moda masculina - 1971
  • Modelos de Pierre Cardin
  • Modelos de Givenchy
  • Festival Internacional de Penteados
  • Manequins da Rhodia exibem jérsei brilhante
  • Estande da Christian Dior
  • Coco Chanel

Moda

O século XVII marca o início do monopólio da França na criação da moda, soberania abalada apenas em dois momentos pelos ingleses: no período imediatamente após a Revolução Francesa - quando a Inglaterra domina e exporta os padrões de vestimenta, sobretudo os masculinos, para o resto da Europa - e na década de 1960, quando Londres e os modelos advindos dos estilos dos jovens rivalizam com aqueles originários da alta-costura francesa.

O Brasil não ficou imune às influências da França no que se refere aos padrões vestimentários e, num sentido mais amplo, à cultura das aparências. Após a chegada da Corte, em 1808, modistas francesas se estabeleceram no Rio de Janeiro, oferecendo produtos que os jornais começavam a divulgar. Mulheres da boa sociedade importavam da França vestidos, calçados, meias, roupas íntimas, perfumes e maquiagem, além de acessórios e luvas, os quais, obviamente, eram inadequados ao clima dos trópicos. Também as meninas estavam submetidas a essa tirania desde o enxoval e as próprias bonecas com as quais brincavam colaboravam para reforçar o padrão de beleza francês. Casas comerciais eram batizadas como Torre Eiffel, Notre Dame, Au Bon Marché, Au Grand Opéra, nomes que emprestavam a elas um toque de sofisticação.

Ao longo da primeira metade do século XX, a despeito de algumas iniciativas visando à adoção de vestimentas mais adequadas ao clima brasileiro, os estilos da alta costura francesa mantiveram o seu predomínio, ajudados, inclusive, pelos filmes de Hollywood. Embora a influência americana e inglesa nas roupas tenha se intensificado no Brasil a partir dos anos de 1950 - basta se pensar na popularização do jeans -, não se pode negar que a França ainda é um farol da moda e não apenas para nós. Se hoje ela não é necessariamente o lugar onde a moda nasce, pois esta muitas vezes surge em cidades a milhares de quilômetros da capital francesa, certamente as semanas de moda de Paris ainda mantêm o seu protagonismo difundindo aquilo que importa vestir.

Ampliar

Linha de produtos Gaines et Gorges, Christian Dior

Nascido em 1905, Christian Dior estudou ciências políticas, abriu uma galeria de pintura, mas foi graças ao seu talento para o desenho que se notabilizou. Sua curta carreira como costureiro teve início em 1938, na maison de Lucien Lelong. Em 1947, abre sua própria empresa, na avenida Montaigne, em Paris. Logo na primeira coleção alcança sucesso estrondoso com o tailleur Bar, apresentado pela Vogue americana com uma frase definitiva: "this is the new look". A expressão torna-se popular e faz de Dior um ícone da moda além das fronteiras da França: sua empresa é responsável nos anos 1950 por metade das exportações da alta-costura para os Estados Unidos. Após sua morte repentina, em 1957, Yves Saint-Laurent assume a direção criativa da Dior, mas, em 1961, abre a sua própria maison. É substituído pelo estilista Marc Bohan, que permanece na Dior até 1989. Ainda nos anos 1960, ocorre o lançamento de uma segunda linha da marca, a Miss Dior, sob responsabilidade de Philippe Guiborgé.

Linha de produtos Gaines et Gorges, Christian Dior. s.l., s.d. Correio da Manhã

Ampliar

Christian Dior, 1969

s.l., 1969. Correio da Manhã
Ampliar

Christian Dior

s.l., s.d. Correio da Manhã
Ampliar

Miss Dior prêt-à-porter

s.l., s.d. Correio da Manhã
Ampliar

Criação de Christian Dior

s.l., s.d. Correio da Manhã
Ampliar

Miss Dior prêt-à-porter, 1970

s.l., 12 de agosto de 1970. Correio da Manhã
Ampliar

Yves Saint Laurent

Um dos mais prestigiados costureiros do século XX, Yves Saint-Laurent começou sua ascensão ao abrir a empresa em sociedade com Pierre Bergé. Em 1965 lança a coleção Mondrian e, em 1966, cria um ousado modelo de smoking feminino, adotado, entre outras, pela atriz Catherine Deneuve. Atuando tanto na alta-costura como no prêt-à-porter, dedicou-se, durante 45 anos, aos perfumes, cosméticos, sapatos e acessórios. Em 2002 decidiu aposentar-se, e morreu em junho de 2008.

Yves Saint Laurent ajusta na modelo Allá o colar que acompanhará uma das suas criações para a Casa Dior. s.l., 20 de janeiro de 1960. Correio da Manhã

Ampliar

Saint Laurent, 1971

s.l., 7 de agosto de 1971. Correio da Manhã
Ampliar

Saint Laurent - moda masculina

s.l., 7 de agosto de 1971. Correio da Manhã
Ampliar

Saint Laurent - moda feminina

s.l., 7 de agosto de 1971. Correio da Manhã
Ampliar

Saint Laurent - moda masculina - 1971

s.l., 7 de agosto de 1971. Correio da Manhã
Ampliar

Modelos de Pierre Cardin

Filho de agricultores italianos que imigraram para a França, Pierre Cardin, nascido em 1922, ingressou aos catorze anos em uma oficina de alfaiate. Na década de 1940 aperfeiçoou seu talento na maison Paquin, o que o levou ao posto de primeiro alfaiate na empresa de Christian Dior. Em 1949, abre sua própria marca, chamando a atenção pelo corte impecável de suas roupas. Combinando a elegância da alta-costura com a modernidade do prêt-à-porter, abre as butiques Eva e Adão, na década de 1960. Suas criações revolucionaram o parecer masculino e feminino, graças às experimentações com materiais sintéticos e ao visual futurista. Cardin, que negociou contratos de licenciamento de sua marca para uma ampla gama de produtos - totalizando 540 na década de 1980 -, atua ainda hoje como estilista.

Modelos de Pierre Cardin. s.l., 1967. Correio da Manhã

Ampliar

Modelos de Givenchy

s.l., 24 de maio de 1956. Correio da Manhã
Ampliar

Festival Internacional de Penteados

Três prêmios da categoria penteados para soirées do Festival Internacional de Penteados, realizado em Paris. 1 de novembro de 1959. Correio da Manhã
Ampliar

Manequins da Rhodia exibem jérsei brilhante

Instalada no Brasil desde 1919, a Rhodia S.A. - filial brasileira da firma francesa Rhône-Poulenc - obteve, em 1955, as patentes para a fabricação de fibras e fios sintéticos no país. Visando à popularização desses novos fios, a Rhodia implementa, a partir de 1960, uma estratégia de publicidade associando os fios da multinacional à moda brasileira. Realizados anualmente na Feira Nacional da Indústria Têxtil (Fenit), entre 1963 e 1970, os desfiles da Rhodia reuniam peças assinadas pelos grandes nomes da costura, como Dener e Clodovil, de São Paulo, e Guilherme Guimarães, do Rio de Janeiro. Quanto às estampas dos tecidos, eram elaboradas por artistas plásticos como Aldemir Martins, Manabu Mabe, Antônio Bandeira, Alfredo Volpi, Darcy Penteado, Burle Marx, Lula Cardoso Aires, Heitor dos Prazeres e Livio Abramo. Para divulgação de seus produtos, a empresa criou um grupo fixo e exclusivo de manequins: ao longo da década de 1960, aproximadamente trinta mulheres atuaram como manequins da Rhodia. Algumas, como Lucia Curia, posteriormente ganharam as passarelas internacionais; outras, como Mila, Uli e Mailu, atuaram nas campanhas da Rhodia de forma tão destacada, que se tornaram sinônimo da marca.

Manequins da Rhodia exibem jérsei brilhante na Feira Francesa, realizada em São Paulo. 22 de setembro de 1971. Correio da Manhã

Ampliar

Estande da Christian Dior

na Exposição Francesa, em São Paulo. 16 de setembro de 1971. Correio da Manhã
Ampliar

Coco Chanel

Talento revolucionário surgido na década de 1920, Gabrielle Chanel era amiga de Jean Cocteau, Picasso e Stravinsky, e circulava com desenvoltura entre intelectuais e artistas. Confeccionou figurinos para balé e teatro, criando aquilo que ficou conhecido como estilo "chique pobre", de roupas elegantes e práticas, fabricadas em tecidos sintéticos. Além da difusão do vestido que ficaria conhecido como "pretinho básico", também se pode atribuir a ela a proposta do uso de calças compridas pelas mulheres, nos anos 1930 ainda exclusivamente masculinas, e a moda de bronzeamento, que ela cultivava em viagens à Riviera. Sua maison foi aberta em 1921, mesmo ano do lançamento do primeiro perfume da marca, o Chanel No. 5. Inovador por utilizar elementos sintéticos, o perfume logo se transformou em sucesso de vendas, impulsionadas na década de 1950 pela declaração de Marylin Monroe de que para dormir usava apenas algumas gotas dele. A carreira de Chanel pode ser dividida em duas fases: a primeira encerra-se em 1940 com a invasão alemã durante a 2ª Guerra, quando fecha sua maison; a segunda tem início em 1954, quando a estilista, já com mais de setenta anos, reabre sua loja, impondo aquilo que logo se tornaria um grande sucesso: o tailleur com guarnições trançadas. Também surgem nessa época as correntes de ouro, as bijuterias que imitam joias, incluindo as pérolas falsas, a bolsa em matelassê, o escarpim bege com ponta-escura, marcas de sua criadora que são copiadas e atualizadas, mas nunca saem de moda.

Coco Chanel. s.l., s.d. Correio da Manhã